cover
Tocando Agora:

Solidão faz mal ao coração: estudo revela que efeitos negativos vão além da saúde mental

Solidão pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de algumas doenças cardíacas. Freepik Se sentir sozinho com frequência muitas vezes faz o coraçã...

Solidão faz mal ao coração: estudo revela que efeitos negativos vão além da saúde mental
Solidão faz mal ao coração: estudo revela que efeitos negativos vão além da saúde mental (Foto: Reprodução)

Solidão pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de algumas doenças cardíacas. Freepik Se sentir sozinho com frequência muitas vezes faz o coração ficar apertado e provoca batimentos acelerados, irregulares. É como se a solidão tivesse um efeito direto no órgão mais vital do corpo. E uma nova pesquisa mostra que esses sintomas não são somente uma impressão. Um estudo publicado na revista científica "Journal of The American Heart Association" mostrou que adultos que relatam sentir solidão ou não conseguem confiar em alguém próximo têm mais risco de desenvolver doença degenerativa das valvas cardíacas. 🫀As doenças degenerativas das valvas cardíacas (estruturas que controlam o fluxo de sangue entre as câmaras cardíacas) acontecem quando uma ou mais dessas estruturas deixam de funcionar corretamente. A condição é comum com o envelhecimento, uma vez que as válvulas se tornam mais espessas, calcificadas ou flácidas e prejudicam o fluxo sanguíneo. Segundo os pesquisadores, essa é uma das primeiras pesquisas em larga escala a examinar a relação entre a solidão e o risco de doenças cardíacas. VEJA TAMBÉM: Solidão e Solitude: entenda a diferença e os benefícios de ficar sozinho Zhaowei Zhu, professor da Central South University e autor do estudo, explica que a doença está se tornando cada vez mais comum à medida que a população envelhece. E que o sentimento de solidão pode ser um fator determinante nesse contexto. "Nossos achados sugerem que a solidão pode ser um fator de risco independente e potencialmente modificável para a doença valvar degenerativa", analisa o pesquisador. O grupo analisou informações de cerca de 463 mil pessoas. Os participantes responderam a perguntas para avaliar a solidão e o nível de isolamento social. Eles foram acompanhados por uma média de 14 anos e foram analisados registros médicos para rastrear novos diagnósticos da doença. Zhu reforça que os achados podem ser fundamentais para a prevenção desse tipo de doença, tratando a solidão também como um potencial fator de risco. "Identificar esse novo risco é um passo importante para potencialmente prevenir a doença valvar, que pode levar à insuficiência cardíaca, redução da qualidade de vida e necessidade de cirurgia de substituição valvar", afirma. LEIA MAIS: Hiperestímulo e mais: entenda como as redes sociais aumentam a sensação de solidão e veja 5 dicas para superar Dieta cetogênica pode melhorar quadros de depressão resistente ao tratamento, mostra estudo Solidão e problemas cardíacos Durante o acompanhamento, os pesquisadores observaram o diagnóstico de mais de 11 mil novos casos de doença valvar degenerativa. O estudo diferenciou os níveis de risco para distintos problemas relacionados a doenças do coração – quando comparados a pessoas que não sentem solidão: 19% maior risco de doença valvar degenerativa 21% maior risco de estenose aórtica (condição em que a válvula que permite a saída do sangue do coração se estreita, restringindo o fluxo sanguíneo) 23% maior risco de regurgitação mitral (condição em que a válvula entre as câmaras esquerdas do coração não se fecha corretamente, permitindo o refluxo do sangue) Os pesquisadores ainda destacam que a solidão pareceu aumentar a chance de desenvolver problemas cardíacos, independentemente da predisposição genética. Outro ponto importante reforçado pela pesquisa é que estilos de vida não saudáveis podem ajudar a explicar parcialmente a relação entre a solidão e doenças do coração. 👉Entre os hábitos que podem contribuir para essa associação estão: Obesidade Tabagismo Consumo excessivo de álcool Sono inadequado Atividade física irregular Segundo os especialistas, a solidão é um estressor para o corpo e tem influência direta no organismo. "Nossos resultados sugerem que abordar a solidão pode ajudar a retardar a progressão da doença, adiar intervenções cirúrgicas como a substituição valvar e, em última análise, reduzir o impacto clínico e econômico a longo prazo", disse o coautor Cheng Wei, M.D., doutorando em medicina cardiovascular. Limitações e próximos passos Entre as principais limitações do estudo, os autores lembram que a pesquisa é observacional, ou seja, não pode provar causalidade. Os resultados trazem apenas uma associação entre os dois fatores. Além disso, a diversidade dos participantes também foi uma limitação, já que a maioria era composta por adultos brancos, o que pode comprometer a generalização dos resultados. Nas conclusões, os pesquisadores destacam a importância de rastrear a doença valvar degenerativa em pessoas que relatam solidão. Eles ainda projetam que estudos futuros são necessários para confirmar os achados em populações mais diversas, entender os mecanismos biológicos envolvidos e testar se intervenções que reduzam os sintomas da solidão podem diminuir o risco de doenças cardíacas.

Fale Conosco